Em
2006, penso, todo o empenho da OAB deverá
ser na defesa das prerrogativas dos advogados.
No
ano que passou, ficamos estupefatos e indignados
com inúmeras ações perpetradas
pelas denominadas “forças tarefas”
comandadas pela Policia Federal e supervisionadas
pelo Ministério Público, mediante
autorizações judiciais, e que resultaram
em gritantes demonstrações de abusos
e flagrantes desrespeitos às prerrogativas
dos advogados, além da violação
de princípios constitucionais inarredáveis.
Tem
se tornado comum, corriqueiro, o “pé
na porta” de escritórios de advocacia,
a busca e apreensão de arquivos e equipamentos
de trabalho de advogados que patrocinam a defesa
de acusados e ou denunciados pela prática
de ilícitos.
Em
Sinop, não faz muito, cumpriram mandado
de busca e apreensão no escritório
errado (se é que que existe escritório
certo para buscar e apreender o que é protegido
por lei federal).
Outrossim,
as prisões cinematográficas levadas
a efeito pelas “forças de seguranças”,
aboliram o direito do preso de se entrevistar
com o seu advogado. É sabido, que neste
momento – da prisão -, o acusado
encontra-se vulnerável e fragilizado. Em
face disso, as autoridades policiais e o Ministério
Público têm criado toda sorte de
dificuldades em permitir que o acusado fale com
seu defensor antes de prestar depoimento, além
de causar todo o embaraço possível
para que tome conhecimento do conteúdo
e limites do mandado expedido contra o seu cliente.
Contudo,
e o mais grave, é que ao transpor as barreiras
que lhe foram postas, depois de uma luta ferrenha
para fazer valer suas prerrogativas, aliás,
que não são suas, mas consagradas
à cidadania, verifica que o preso foi colocado
em “liberdade” por ter colaborado
com as investigações, nos termos
da famigerada “delação premiada”.
Não
se diga (embora muitos saudosistas de períodos
nefastos dirão), que a ORDEM DOS ADVOGADOS
DO BRASIL não esteja ouvindo o clamor que
vem das ruas e que está a exigir, das autoridades
que integram os Poderes da República, uma
reação enérgica contra o
crime organizado nas suas mais variadas facetas.
A
ORDEM, não precisa enumerar seus feitos,
contudo, não é demais lembrar que
ela esteve sempre na vanguarda, pugnando por democracia,
por eleições limpas, pela ética
e correção no trato com a coisa
pública, exigindo uma ampla reforma no
Poder Judiciário, porém, sem nunca
abrir mão do respeito à legalidade,
especialmente no que se refere à amplitude
da defesa, ao contraditório, etc... .
A
ORDEM, ao longo da sua história, não
ficou debruçada apenas nos assuntos que
circunscrevem os interesses meramente corporativos
de seus inscritos, pelo contrário, alinhou
se na primeira fila para desafiar o arbítrio
e pugnar pela restauração do Estado
de Direito e Democrático.
Diante
dos acontecimentos recentes, é inegável
que a ordem jurídica corre perigo, merecendo,
mais uma vez, a pronta reação da
OAB a quem a lei impõe o dever de defender
a ordem jurídica e a Constituição
da República, bem como de contribuir para
o aperfeiçoamento das instituições
jurídicas.
No exercício desse dever a ORDEM DOS ADVOGADOS,
diferentemente do que ocorre com as demais corporações
profissionais, despe-se de suas vestes de órgão
de classe para abranger e beneficiar, com sua
atuação, toda a comunidade.
É
assim, neste contexto, que a advocacia matogrossense
deve prestar (como tem prestado) todo o apoio
e solidariedade ao Presidente da OAB/MT FRANCISCO
ANIS FAIAD, a quem coube denunciar, com destemor
e desassombro, o vilipêndio das nossas prerrogativas.
Prerrogativa do advogado é direito do cidadão
e assim, precisa ser garantido.
Não
devemos esquecer ULYSSES GUIMARÃES: “Direito
sem garantia é como sol de inverno, ilumina
mas não aquece”.
Que 2006 possa ser. E será. O ano da defesa
intransigente das nossas prerrogativas.
Um
abraço a todos.
Silas
do Nascimento Filho
Presidente
da 17a Subseção da OAB/MT