Crianças
indígenas continuam morrendo em aldeias de
MT
Os
problemas de saúde nas reservas indígenas
de Mato Grosso, especialmente na região do
Vale do Araguaia, continuam graves. Recentemente,
nas aldeias Água Limpa e Pedra Grande, dos
índios Xavantes, quatro crianças faleceram.
A reserva está localizada no município
de Santo Antônio do Leste. Elas tinham idade
entre oito e quatro anos. A denúncia foi
feita pelo cacique Gabriel Sarãnaté,
na Ouvidoria Geral do Estado. “Isso reforça
a nossa defesa em favor de uma ampla auditoria na
Fundação Nacional da Saúde
(Funasa)” – disse a presidente da Comissão
de Direitos Sociais da Ordem dos Advogados do Brasil
em Mato Grosso, Luciana Serafim de Oliveira.
No
relato do líder indígena as quatro
crianças morreram apresentando sintomas
semelhantes de uma mesma doença, ou seja,
vômito, febre, diarréia e tosse.
Gabriel Sarãnaté disse que não
havia xarope nem Vick. “Fica muito claro
que muito pouca coisa mudou a respeito do atendimento
aos índios, que continuam morrendo, continuam
enfrentando muitos problemas de saúde”
– frisou a advogada, que prometeu encaminhar
o documento para o Conselho Federal da OAB para
que seja cobrada providências por parte
da Presidência da República.
Gabriel
Sarãnaté contou ainda na Ouvidoria
do Estado que foi solicitada ao posto da Funasa
na cidade de Campinápolis, via rádio,
uma ambulância ou viatura para transportar
uma mulher gravemente doente, após parto,
mas o atendimento foi recusado. Acompanhado do
prefeito Pedro Luiz Brunetta, de Santo Antônio
do Leste, e da secretária de Saúde,
Lenir de Fátima Azzoline, Gabriel denunciou
que algumas crianças, acometidas de doenças,
neuromusculares ou degenerativas, aparentemente,
encontram-se “sem nenhuma assistência
médica” nas aldeias onde ocorreram
as mortes e também em Sete Rios e São
Benedito.
A
situação tende a se agravar. O líder
indígena confirmou que as crianças
indígenas não estão recebendo
vacinas contra doenças de alta proliferação,
tais como varíola, febre amarela, poliomielite,
BCG, tríplice, sarampo e a própria
catapora. Crianças portadoras de catapora,
por exemplo, recebem atendimento apenas por parte
do município, quando o trabalho é
de responsabilidade da Fundação
Nacional de Saúde.
A
Prefeitura de Santo Antônio do Leste, conforme
a denúncia encaminhada à Ordem dos
Advogados do Brasil, é quem vem se responsabilizando
ainda pelo tratamento dos índios hipertensos,
diabéticos e outros portadores de doenças
consideradas crônicas. “Esses índios
exigem tratamentos permanentes” –
frisa a denúncia colhida pela Ouvidoria
do Estado. Gabriel Sarânaté afirmou
ainda que outras aldeias,como Aldeinha, Paraíso
e Chão Preto “costumam sofrer pela
falta de assistência da Funasa”.
Fonte:
OAB MT
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