| OAB:
Carta condena renúncia de deputados do "mensalão"
Florianópolis (SC), 29/09/2005 –
Reunidos na XIX Conferência Nacional da
classe, os advogados brasileiros encerraram hoje
(29) o encontro exigindo, na Carta de Florianópolis,
“exemplar punição dos envolvidos
em atos de corrupção e malversação
de dinheiro público, observado o processo
legal, impedindo-se que a renúncia ao mandato
eletivo faça cessar o processo punitivo”.
Os advogados querem a aprovação
urgente de mecanismo acabando com o expediente
da renúncia para escapar à punição,
utilizado recorrentemente - como ocorre no escândalo
do "mensalão e mensalinho" -
por parlamentares e outros detentores de mandatos
eletivos quando investigados por corrupção.
Na
Carta de Florianópolis, que condensa as
questões e reivindicações
fundamentais à República, à
cidadania e à democracia brasileiras –
o tema da conferência foi República,
Poder e Cidadania -, os advogados fazem também
a defesa intransigente da soberania nacional,
“no que tange, notadamente, aos recursos
energéticos, à biodiversidade e
à floresta amazônica”. Durante
os debates em painéis e aulas magnas, nos
quatro dias de Conferência, os advogados
aprovaram proposta de criação de
um movimento para defender a Amazônia das
ameaças de invasão estrangeira e
a integridade de seu patrimônio como fundamental
à nacionalidade.
O
documento denuncia também as constantes
violações a princípios da
ampla defesa e da presunção de inocência,
com o desrespeito, mediante ações
sensacionalistas, à inviolabilidade profissional
do advogado. “Violar a advocacia é
atentar contra a liberdade, e sem liberdade não
há estado democrático de Direito”,
enfatiza a manifestação pública,
que reclama também da Reforma do Judiciário
promulgada, observando que esse poder “continua
distanciado da realidade social”
Os
advogados brasileiros sustentam ainda, no documento
lançado na capital catarinense, “sua
total indignação com ao descalabro
administrativo, a corrupção, a impunidade
e a ausência de políticas públicas
que atendam aos objetivos fundamentais da República,
declarados na Constituição da República”.
A advocacia reunida em Florianópolis manifestou
também sua inconformidade com o fato de
que, passados três anos da XVIII Conferência,
realizada em 2002 em Salvador, o quadro político-social
brasileiro continua desalentador.
A
Carta de Salvador – lembram os advogados
em Florianópolis - já expressava
a esperança da advocacia brasileira “na
regeneração política do País,
com eliminação das crônicas
desigualdades sociais e dos focos de corrupção
que ameaçavam a credibilidade das instituições
públicas”. Por isso, manifestaram
hoje na Carta de Florianópolis, a sua “completa
frustração”. A Carta foi lida
pelo professor e jurista Fábio Konder Comparato,
agraciado com a Medalha Ruy Barbosa da Ordem dos
Advogados do Brasil, em sessão de encerramento
da XIX Conferência, conduzida pelo presidente
nacional da OAB, Roberto Busato.
Fonte:
OAB Nacional
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