À
espera de renúncia, Conselho adia abertura
de processo contra Severino
O presidente do Conselho de Ética, deputado
Ricardo Izar (PTB-SP), adiou para quarta-feira a
abertura da representação contra o
presidente da Câmara, Severino Cavalcanti
(PP-PE). "Vamos aguardar, já que existe
a possibilidade de renúncia", disse
Izar, que iria abrir o processo amanhã.
Com
a renúncia, Severino ficaria livre do processo
e, com isso, preservaria seus direitos políticos
em uma eventual candidatura no ano que vem.
A
expectativa é de que Severino renuncie
na quarta-feira. Nesta tarde, o presidente da
Câmara irá se reunir com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Na
conversa, Severino deve pedir a Lula que mantenha
no cargo o ministro Márcio Fortes (Cidades),
sua indicação na cota do PP. Severino
quer manter ainda seu filho José Maurício
na Delegacia Regional de Agricultura, em Pernambuco.
A assessoria de imprensa do presidente da Câmara
não confirmou informação.
O
presidente da Câmara passou o dia ontem
reunido com assessores e correligionários
fazendo anotações para seu discurso
de renúncia ao mandato, na quarta.
Severino
disse ontem a vários correligionários
que pretende disputar a eleição
de 2006 e espera voltar a ser deputado federal
em 2007. Severino dá como certa a sua cassação
agora se ficar no cargo. Por isso, renunciará
para não ficar inelegível --quem
é cassado fica banido da vida política
por oito anos. No discurso de quarta, vai se dizer
perseguido politicamente.
O
texto do discurso será redigido por seus
assessores. Vários estiveram ontem durante
todo o dia na residência da presidência
da Câmara. Severino deve fazer uma recapitulação
de toda a sua trajetória política,
iniciada há 42 anos. Também dedicará
um trecho de sua fala a refutar a acusação
de que recebia propinas de um empresário
do ramo de restaurantes.
Para
a abertura da representação, a Mesa
Diretora ainda deve encaminhar o processo ao conselho.
O encaminhamento depende da assinatura de Severino.
O presidente da Câmara havia declarado que
enviaria o processo no início desta semana.
Representações
Hoje,
Izar afirmou afirmou que não aceitará
o pedido do PTB para retirar as representações
feitas pelo partido contra os deputados Sandro
Mabel (PL-GO) e José Dirceu (PT-SP).
Segundo
Izar, já foi feito um parecer técnico
pela assessoria da Câmara, no qual o Conselho
baseia sua decisão de não aceitar
a retirada.
"No
Conselho não vamos aceitar. Quem quiser
que recorra à Mesa, à CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça)
ou fora da Casa, ao Supremo (Supremo Tribunal
Federal). De acordo com o parecer, a retirada
é indevida. São vários os
argumentos para não aceitar a retirada.
Dentre eles é o fato de os processos terem
se tornado de interesse comum, não apenas
do PTB. Estamos também nos baseando no
processo jurídico. Quando um processo dá
entrada e começam as investigações
judiciais, ele não pode mais ser parado",
declarou Izar.
Fonte: Folha Online
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