OAB-MT
condena projeto que prevê fim de exame de
Ordem
Cuaibá, 18/09/2005 - O presidente da Seccional
da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso,
Francisco Faiad, condenou com veemência a
proposta apresentada pelo deputado federal Lino
Rossi (PP-MT) que acaba com o Exame de Ordem, sistema
de provas adotada para definir se o bacharel em
Direito está ou não qualificado para
desempenhar as funções de advogado.
A
proposta do parlamentar de Mato Grosso cria a
opção para o bacharel a comprovação
de dois anos de estágio em órgãos
jurídicos federais. “É lamentável
que esse deputado legisle sobre algo que demonstra
desconhecer” – frisou.
Faiad
considera que facultar a inscrição
na OAB a prática obtida em estágio
profissional mesmo sendo o período de estágio
realizado em instituições públicas
federais voltadas para o exercício das
funções jurídicas “não
demonstra que essa pessoa esteja devidamente qualificada
para atuar no mercado de trabalho da advocacia”.
Por outro lado, segundo ele, a medida acaba excluindo
a grande maioria. “Estamos lutando pela
unificação do Exame de Ordem e uma
medida como essa é excludente” –
assinalou.
A
proposta de Rossi foi apresentada este mês
e deverá ser alvo de mais críticas
por parte do Conselho Federal da OAB. Ele observou
que o Exame de Ordem é, atualmente, o mecanismo
mais eficiente para aferir a qualificação
do recém-formado. “Hoje é,
sem dúvida, o instrumento que demonstra
com maior clareza a existência de uma política
equivocada por parte dos responsáveis pelo
ensino superior no Ministério da Educação”
– disse, ao destacar os baixos índices
de aprovação no exame.
Em
Mato Grosso, no último exame, apenas 13,44%
dos que prestaram a prova conseguiram atingir
os pontos necessários para a segunda fase.
Ao todo, foram inscritos 1.269 bacheréis
em Direito. Desses, 1.264 fizeram as provas. Um
candidato foi eliminado e 24 deixaram de comparecer.
Foram aprovados 170. “Um bom serviço
que o deputado Lino Rossi poderia prestar para
o Direito, para a advocacia seria lutar com todas
as forças para a melhoria da qualidade
do ensino jurídico em nosso país”
– salientou.
O
presidente da OAB atribui o elevado número
de reprovação dos bacharéis
em Direito no Exame de Ordem a três situações:
primeira, o número excessivo de cursos
de Direito; segundo, a participação
do acadêmico no processo de aprendizado;
e, por fim, graduação dos próprios
professores. “Todos esses itens estão
interligados.
Aliado
a isso, vem o nervosismo do próprio candidato,
a pressão que ele põe sobre os seus
próprios ombros na hora de fazer a prova”
– enumerou Francisco Faiad, que lamentou
o fato de o deputado, por ser de Mato Grosso,
sequer ter procurado a OAB para discutir o assunto
antecipadamente.
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