OAB-MT
insistirá em mudanças na Lei dos Juizados
Especiais
O
presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em
Mato Grosso, Francisco Faiad, disse nesta quinta-feira,
em Rondonópolis, região Sul do Estado,
que a entidade vai continuar lutando pelo aperfeiçoamento
da Lei 9.099795. Ao proferir palestra no IX Encontro
de Juízes e III Encontro de Conciliadores
dos Juizados Especiais da Mato Grosso, promovido
pelo Tribunal de Justiça. “Existem
duas situações que precisam ser
alteradas, sob pena de que se perpetue um conflito
com a Constituição Federal”
– frisou, ao destacar a questão envolvendo
a exclusão dos advogados das lides processuais.
O
artigo 9º da Lei dos Juizados Especiais estabelece
que nas causas de valor até 20 salários
mínimos, as partes comparecerão
pessoalmente, podendo ser assistidas por advogados;
nas de valor superior, a assistência é
obrigatória. Contudo, a Constituição
Federal estabelece, em seu artigo 133, a que a
figura do advogado é imprescindível
a administração da Justiça.
“E ai está o conflito e a OAB vai
continuar a questionar essa situação”
– disse Faiad, que criticou as correntes
do judiciário defensoras da exclusão.
“A
presença do advogado é importante
para que haja o justo equilíbrio entre
as partes” – frisou o presidente da
OAB ao destacar estudos que indicam ser a maioria
das ações em tramitação
nos juizados especiais relativas a danos morais
por causa da relação de consumo.
“Geralmente essas empresas dispõe
de uma boa assessoria jurídica. E uma das
partes sem um advogado para cuidar dos seus interesses,
ocorre o desequilíbrio. Muitas vezes, o
próprio juiz acaba tendo que orientar essa
outra parte, o que acaba sendo um problema na
distribuição de justiça”
– ele destacou.
Falando
para juizes e conciliadores, Francisco Faiad também
destacou que o argumento de falta de defensores
públicos para atender para carentes que
demandam reparações abaixo de 20
salários não pode servir de justificativa
para que uma das partes deixe de ter alguém
cuidando exclusivamente dos seus interesses. “Temos
que estar ainda mais unidos para dotar a Defensoria
Pública da estrutura funcional e de pessoal
necessária a prestação jurisdicional”
– acentuou.
Outra
situação que precisa ser alterada
na legislação dos Juizados Especiais,
segundo Faiad, diz respeito aos conciliadores.
A lei pontua que o cargo deve ser ocupado “preferencialmente”
por bacharéis em Direito. Para o presidente
da OAB, essa condicionante foi desvirtuada ao
longo do tempo. Ele ressaltou que há casos
de conciliadores cuja profissão passa muito
longe do Direito.
|